quinta-feira, 31 de julho de 2008

O Rosto é o Espelho da Alma?

Paulo Gonzo - "Sei-te de cor"


“…O rosto não é o espelho da alma, mas a moldura da alma. Não é a nossa alma que se vê através do rosto, mas sim a alma que queremos mostrar ao exterior…” (pensamento retirado de um comentário em http://sociedade-civil.blogspot.com/).
Vi um pouco do programa alusivo a este tema na RTP 2. Achei-o interessante, inspirou-me a escrever. Na infância parecemo-nos com “diamantes em bruto”, ainda não fomos “lapidados”. Rimo-nos se estamos alegres, choramos quando nos sentimos tristes. Por outras palavras, somos autênticos na altura de demonstrar as emoções. À medida que crescemos, aprendemos a defender-nos e a sobreviver em sociedade, utilizando “máscaras”. Tornamo-nos actores no grandioso palco/teatro da vida. Uns mais que outros, claro!
Usamos o sorriso e o olhar como “armas de sedução”. Conseguimos engolir as lágrimas no fim de um relacionamento. Porque não desejamos que o outro nos veja magoados e vulneráveis, guardamo-las para mais tarde as soltarmos no silêncio do nosso “cantinho”. Fingimos segurança (aparente) no momento exacto em que, sem convicções, trememos por dentro. Exibimos uma cara sorridente quando alguém nos oferece um presente que não parece servir-nos absolutamente para nada. Só porque faz parte das regras de boa educação.
Fico apenas com dúvidas sobre o facto de conseguirmos “ludibriar” aquelas raras pessoas que nos conhecem melhor que nós próprios. As que nos “sabem de cor” como canta Paulo Gonzo no vídeo que coloquei neste post.
Fica a sugestão em forma de livro se estiverem interessados em aprofundar o assunto, deixada pela “Sociedade Civil”:
“A Psicologia das Emoções: O fascínio do rosto humano”. Edições Universidade Fernando Pessoa. Autor: Freitas -Magalhães

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Eu sou nuvem passageira...

A poesia que transborda desta canção já esteve ou vai estando muito presente, em certos momentos da minha vida...




Eu sou nuvem passageira
Que com o vento se vai
Eu sou como como um cristal bonito
Que se quebra quando cai

Não adianta escrever meu nome numa pedra
Pois esta pedra em pó vai se transformar
Você não vê que a vida corre contra o tempo
Sou um castelo de areia na beira do mar

A lua cheia convida para um longo beijo
Mas o relógio te cobra o dia de amanhã
Estou sózinho perdido e louco, no meu leito
E a namorada analisada por sobre o divã

Por isso agora o que eu quero é dançar na chuva
Não quero nem saber de me fazer ou me matar
Eu vou deixar em ti a vida e a minha energia
Sou um castelo de areia na beira do mar

(Hermes Aquino)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Azul... Verão... Verão Azul



Porque é Verão, que se quer quente, leve e descontraído, lembrei-me.
De uma série de que me prendia ao ecrã da televisão, e marcou pela positiva os jovens da Península Ibérica, no início dos nos anos 80. Passava-se na cidade de Nerja, em Málaga. Vivi com aquele grupo todas as suas aventuras e desventuras. Alegrias, tristezas, emoções.
E, confesso que tenho muitas saudades, por isso fui buscar este vídeo…
Esta música já tocou no meu telemóvel!

Sorrisos :)))

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Ouvir Cabo Verde…. Sentir Cabo Verde… Envolver-se com Cabo Verde…



Uma confidência em forma de história passada num destes dias 08 de Março, quando se comemora o Dia da Mulher…
Por fora um edifício antigo, nada sedutor. Procura-se uma explicação viável para aquela correria de longas filas à entrada. “Também sobe?”. “Será que há lugar para mais uma?”. Aparato invulgar. Os dois elevadores estão avariados e só o monta-cargas funciona. Por vezes há decisões difíceis de tomar. Digamos que não é fácil atingir o oitavo andar a pé, em tom de passeio. Requer exercício e sobretudo “espírito desportivo”. Descer é bem mais divertido…
Finalmente! Até aqui nada a assinalar. O espaço é simples e modesto. Porém, a sala está repleta. É aconselhável reservar mesa com antecedência. Escolhe-se o prato na lista. Talvez a “cachupa” seja uma boa opção, tem tudo a ver. Aguarda-se o almoço nas mesas entre conversas e sorrisos. Vai e vem de empregados, os quais ensaiam os primeiros passos de dança.
É agora! Chegam os cantores, começa a música e algo muda. Eis a verdadeira atracção deste lugar. Ouvem-se as vozes de uma “morna” que convida a entrar neste grandioso “espectáculo”.
Uma roda de pessoas que se vai tornando mais densa chega-se à frente e começa a soltar-se, o ritmo é o seu guia. Mistura de corpos cúmplices e ilusões. Deixam de existir idades, raças, classes sociais. Todos se fundem num quadro colorido.
Deixo-me levar por aquele momento, eterno enquanto dura, os meus olhos brilham, sinto-me viva. Reencontro pessoas que não via há anos, livre, não paro de dançar.
Penso que quem teve a ideia deste almoço e é frequentadora assídua do local nem imagina os momentos deliciosos que me proporcionou. Neste momento a minha Amiga atravessa uma fase menos boa que vai com certeza ultrapassar. É provável que não leia este post apesar de às vezes passear pela net. Mas, porque é uma pessoa “Especial” envio-lhe muito carinho e um abraço do tamanho do Mundo.

O local de que estive a falar é a Associação Cabo-Verdiana.
Alguém conhece ou ficou com vontade de conhecer?

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Bolero de Ravel e "Les Uns et les Autres"



Uma música que amo. Um filme marcante.
Desejo-vos um fim-de-semana belo e emocionante. Mil sorrisos.
Fiquem bem.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Queridos livros, ontem, hoje e sempre



“Ler é levar a alma a viajar..."

Encontrei esta frase que me sensibilizou por acaso, num comentário do Blog http://7leitores.blogspot.com. Visitem, porque vale mesmo a pena…

Partir em viagem é mágico! Não conheço ninguém que não se sinta completamente “embriagado” com a expectativa de conhecer novas culturas, outros lugares. Misturar-se com as pessoas, perder-se nos cheiros, partilhar sabores e envolver-se com as paisagens. O apelo exterior é intenso. Regressamos exaustos, porém, felizes!

Um Livro é o nosso passaporte para viajarmos e enriquecermos interiormente. Possibilita altos voos, estimula a criatividade e imaginação.
Idealizamos as personagens, recriamos o ambiente, cores e texturas. Através do nosso entusiasmo passamos a fazer parte do enredo, envolvemo-nos. Estamos lá, leitores atentos, a aguardar o desenrolar dos acontecimentos numa aparente proximidade. Quando gostamos a sério de uma obra entregamo-nos por inteiro e sem receios. Devoramos cada palavra, cada frase, cada página, a correr, com paixão!!!

Os livros que me marcaram e fizeram parte da minha história sempre estiveram lá quando precisei deles. Companheiros inseparáveis dos dias cinzentos e de todos os outros que nos fazem sentir “os donos do Mundo”. Preenchi livros em branco e fui encontrando as respostas que já sabia. Formulei novas perguntas às quais não sei responder de todo. Porque escrever faz parte do meu caminho, liberta-me, é um bom vício.

Mas é de ler que se trata. E cada vez que me aventuro nesta imensidão da Leitura adquiro mais consciência do que ainda tenho para aprender e desvendar. E não me canso de explorar novos caminhos, percorrer atalhos e até seguir por estradas desconhecidas e sinuosas. Todos os dias.

Seria tão triste, pobre um Mundo sem livros, uma ideia impensável… Não consigo sequer imaginar.
Obrigada, simplesmente por existirem!

terça-feira, 15 de julho de 2008

Só para vocês...

Eis a minha forma de vos desejar um doce início de semana...
Porque não dar uma oportunidade à música e deixar o que os olhos passeiem pela paisagem?
Aproveitem bem este momento!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

José Fanha



Nós nascemos para ter asas meus amigos.

Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.

No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.

Cortaram-nos as asas como se fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.

Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas de novo voltam a ser.

Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.

Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.


José Fanha, 1985, Cartas de Marear

terça-feira, 8 de julho de 2008

Look at me... please


Ficar invisível... mesmo que por breves instantes Penso que todos já desejámos ter super-poderes e encarnar os super-heróis da infância em aventuras extraordinárias. Sonhando, talvez...

Na realidade, na maioria das vezes queremos estar bem visíveis para os outros, em especial para determinadas pessoas! Precisa-se não somente que olhem com olhos de ver, mas sobretudo reparem. No penteado diferente, na lingerie mais ousada, nas pequenas-grandes mudanças operadas no lar, em gestos que podem fazer a diferença.

E enganamo-nos a quando afirmamos que não tem importância aquele “desinteresse”, até é natural. Jogamos ao “faz de conta” no sentido de nos protegermos de um imenso “balde de água fria”.

Noutras alturas ansiamos por um bom ouvinte Alguém que não ouça simplesmente, mas escute entrando no nosso Mundo interior. O ser humano comum limita-se a ouvir o eco da sua voz vezes sem conta, rodopiando nos seus pensamentos e “dramas diários”. Julga que é suficiente a presença física aliada a alguma representação.

Em raríssimos momentos de magia, desliga-se do seu Eu, parte à descoberta e...consegue Partilhar!

É pedir muito prolongar as alturas em que fluem boas energias, tentando multiplicá-las? Só um pequeníssimo esforço... e a recompensa é garantida...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Em todas as ruas te encontro...



Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco



Mário Cesariny

Com o Mar...




Com o mar
as curvas das ondas
e o dorso de um peixe ao luar
fiz uma deusa
que criou o mar.

(E depois deitei-me ao comprido
com o mistério resolvido.)



José Gomes Ferreira

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Histórias de princesas de hoje


"Era uma vez uma linda Princesa que vivia num castelo cor-de-rosa. Ficou conhecida pelo seu sorriso e alegria de viver, que contagiava todos à sua volta. Gostava de brincar e de se divertir.
Certo dia, porém, a Princesa ficou doente. Ninguém sabia o que fazer porque não é comum que tal aconteça nos contos de fada. Começou a fazer tratamentos e a tomar muitos remédios para ficar boa. E a pouco e pouco deixou de sorrir. Só queria ficar quietinha e chorava muitas vezes porque tinha dores. Todos os habitantes do Reino ficaram tristes, e até o sol deixou de ter forças para brilhar. Era sempre noite e estava escuro…
Mas, passado algum tempo ficou bem. Para isso contou com muita força de vontade da sua parte, a ajuda da família, amigos e o apoio da Rainha-mãe, a qual estava sempre ao seu lado a dar-lhe colo e mimos. Recuperou o sorriso bonito que a caracterizava. E o sol voltou a brilhar! Fez-se uma grande festa durante dias e dias, convidaram gente dos quatro cantos do Mundo. Houve imensas danças e cantares alegres."


A “Prisca” não é uma princesa. É apenas mais uma das inúmeras crianças que está na Casa da Acreditar. Para a mãe Catarina e todos aqueles que a amam é especial, sem dúvida! Também já tem um lugar no meu coração. É impossível não gostar dela.
Esta curta história que inventei é a minha forma de lhe enviar uma mensagem de fé e esperança, apesar de ela ser demasiado pequena para compreender.
Alargo-a a todas as meninas, meninos e pais que passam ou já passaram pelo enorme desafio de enfrentar uma adversidade chamada “cancro”. Coragem e força, sobretudo nunca desistam. É uma fase menos boa do longo percurso da vida, mas vai passar. Estou certa disso. Se precisarem de mim vou estando por perto…

Um beijo grande e solidário,

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Eugénio de Andrade (Adeus)



Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

terça-feira, 1 de julho de 2008

Encontro adiado



Escrevi este conto que partilho convosco...

Soltou um suspiro de alívio. Tinha escapado por pouco a um terrível aguaceiro! Despiu a gabardina preta, e desvendou a silhueta feminina no vestido justo.
Escolhe uma mesa perto da janela de modo a observar o que se passa lá fora e espreita as gotas, pingos de chuva que não pára de cair. Imagina a expressão das pessoas debaixo dos chapéus. Desiludida, alegre, sonhadora? Quase ouve o barulho do vento e dos passos apressados quando encontram pequenas poças de água. As buzinas dos carros irritados com o trânsito. Uma tarde agitada também por causa do temporal…
“Não vou pedir já. Estou à espera de uma pessoa”. Esboçou um sorriso tímido, pouco convincente.
Dentro de si, as nuvens cinzentas parecem querer tapar o pouco sol que lhe resta.
O telemóvel, em silêncio, mostra as horas. Poderia experimentar ligar-lhe mas iria apenas demonstrar a insegurança que sentia. E depois, atendendo ou não, estava certa que só ficaria ainda mais magoada. E se estivesse desligado?
Tirou um livro da mala vermelha, embora soubesse que naquele momento este serviria apenas como um mero acessório. “Como o acaso comanda as nossas vidas” de Stefan Klein. Pensou na presente situação. Será que corresponde mesmo à verdade?
Se calhar era boa ideia pedir alguma coisa. “Uma torrada e um chá de maçã canela, por favor”. Bebeu um gole do chá e trincou o pão.
Esta espera, e a sua incapacidade de tomar uma atitude ou decisão estavam a deixá-la frágil e vulnerável. Como se o Mundo tivesse parado ou se virasse contra ela. Limpou a lágrima que lhe rolava pelo rosto.
Procura estar atenta aos outros clientes. Por detrás da aparência o que poderá ser revelado? Ao fundo, um grupo de adolescentes parece hilariante, com imensas histórias loucas para contar. Falam todos ao mesmo tempo, sem facilitar o diálogo. De repente, levantam-se e saem. A casa de chá começa a ficar deserta. Parece que só resta mesmo ela!
“Desculpe, mas vamos ter de fechar. Está tudo bem consigo?”
“Sim, claro, estava distraída! As minhas desculpas”
Abriu a porta, olhando o anoitecer. Pelo menos a chuva tinha parado e havia uma nesga de azul.