"Fleur de Saison"
Porque Novembro é o meu mês.
O Outono veste a natureza com as suas belas cores, tons contrastantes em castanho, amarelo, laranja, e é fabulosa a intensidade da luz nesta estação.
Este ambiente nostálgico,o escuro surgindo mais cedo, entristece-me um pouco, mas acaba por me inspirar nesta aventura da escrita.
Que me estimula sem nunca me cansar, dá-me vontade de caçar outras emoções, partir para novas descobertas. Deslumbro-me, entusiasmo-me, todos os dias como se fosse a primeira vez!...
Aqui vos deixo o “meu” Adeus à época estival, nas palavras de Ruy Belo, um dos meus Poetas de eleição.
Espaço para uma canção

As noites desmedidas de Novembro
abertas sobre a queixa rígida das árvores
Inauguram o Outono sobre a terra
Adeus ó meu Verão impiedoso
ó limpidez da água sobre as pedras
ó inúmeros galos da manhã
ó tempestade agreste de alegria
É o país da música é a fome da noite
impossível estar só razoável rapaz
meu príncipe da própria juventude
Nos cabelos de vento do mar morto do destino
fundo antigo de água conchas e areias
no centro solitário deste solo
ante a solenidade sensual do sono
eu olho os paralelipípedos do nada
não me detenho nos umbrais das trevas
caminho numa mesma direcção

Onde o cheiro da esteva sobre a vila
o trigo para o campo do olhar
as estrelas abertas pelo céu?
Ponho os pés sobre as folhas no asfalto
espero por Dezembro mês para morrer
evoco a luz discreta das doenças de outrora
Aqui os cisnes são da cor da cinza
e o vento devasta o país dos pauis
quando perto do chão a última cigarra
anuncia a definitiva solidão
Que é momentos puros de outra vida
da luminosa luz como ferro em fusão
do silêncio como a nossa melhor obra?
Eu te saúdo Outono punitivo
sinal desse silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção
Ruy Belo
Transporte no Tempo