Fernando Tordo (Ary dos Santos)

De repente, as estrelas desapareceram do meu céu.
Sinto a falta da sua luz e do brilho, ao anoitecer,
Não é possível comunicarmos, porque desconheço a linguagem delas
Se alguém vir por aí uma estrela cadente, por favor, avise-me...
Tenho um desejo guardado, à espera de se concretizar.
Prometo que o vou pedir devagarinho, em voz baixa e doce.
Não quero acordar a Lua...
Um fim-de-semana cheio de calor humano para todos os que me visitam.
Fiquem bem. Mil sorrisos :)
Depois da voz e da expressão poética de Fernando Tordo, fica um Poema de José Luís Peixoto. Sentimo-nos tão pequeninos perante esta grandiosidade, deixa-nos mudos!
"A Criança em Ruínas"
Um dia quando a ternura for a única regra da manhã
Um dia,
quando a ternura for a unica regra da manhã
acordarei entre os teus braços.
A tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossivel compreensão do amor.
Um dia,
quando a chuva secar na memória,
quando o inverno for tão distante
quando o frio responder devagar com a voz arrastada dum velho,
estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela.
Sim, cantarão pássaros, haverá flores,
mas nada disso será culpa minha,
porque eu acordarei nos teus braços e não direi uma palavra,
nem o princípio duma palavra,
para não estragar a perfeição da felicidade

José Luís Peixoto